Desabafo de um apartidário

Começo por avisar que não sou militante de nenhum partido político, e também não sou nada nacionalista, considero-me um cidadão do Planeta Terra e embora compreenda a necessidade de divisões administrativas para uma melhor gestão (pelo menos em teoria), não consigo compreender as rivalidades baseadas em patriotismos.

Em boa verdade, não consigo compreender rivalidades de espécie nenhuma, mas voltando ao assunto que me fez escrever, vou até mais longe: sei que vou escrever algo gravíssimo para alguns, mas eu era feliz se em lugar de uma União Europeia, existisse uma União Federal Europeia. Isso mesmo, os países que compunham essa união deixavam de ser países independentes e passavam a estados federais.

Posto isto, tomo a liberdade de escrever sobre dois temas:

1. Embora não sinta um amor especial por nenhum partido político com assento parlamentar na Assembleia da República Portuguesa, tendo até uma “alergia imensa” por alguns deles… na minha opinião António Costa esteve muito bem relativamente ao ministro das finanças dos Países Baixos.

Desenganem-se, aquilo não se trata de um “não ajudamos” por parte da Áustria, Alemanha, Finlândia e Países Baixos, tratar-se sim de um tiro no pé por parte desses quatro, que pode vir a ter consequências graves.

Essa ideia popularucha de os países do sul da europa serem uns chupistas com má gestão crónica, que só estão na união para pedir dinheiro sempre que se vêem aflitos, é falsa.

A verdade é que os países com maior poder económico desta espécie de união desunida, têm ganho e muito ao longo dos anos, não só por conseguirem maiores ganhos ao pertencerem a uma união desta envergadura, com o consequente mercado livre associado, como também porque muitas vezes as regras foram feitas à sua medida, basta ver por exemplo a crise bancária alemã e francesa que foi abafada para não criar estragos idênticos aos que ocorreram nos países do sul… países esses, que por sua vez contribuíram à força com o pagamento de volta (e com juros) da “ajuda” recebida, para o resgate dos bancos mais a norte.

É óbvio que Portugal, Grécia e Espanha (para referir só os desgraçados do costume) já fizeram muita merdinha, mas também é verdade que a imagem de coitadinhos desgovernados é útil a quem amealha os juros dos empréstimos.

Desta vez não é uma crise normal, desta vez não é uma questão de má gestão económica, desta vez caraças, oh pá desta vez é uma paragem brusca nunca vista, e não tenham ilusões, pois não irá existir quem se safe utilizando a táctica do “cada um por si”.

Juntos somos mesmo mais fortes, e dói-me o coração ver uma União Europeia que podia ser tão, mas tão forte, estar aparentemente em risco por causa do egoísmo cego de alguns.

Esta é a hora do mundo se unir, não é hora de egoísmos tolos… e são nestes momentos extremos onde se detecta quem está a ocupar esses cargos com a finalidade de gerir para servir a todos, e quem ao contrário está para se servir a si e aos seus.

Quem opta por si e pelos seus está a borrifar-se… por eles os outros paises (ou o seu próprio) podem afundar-se, porque o mundo pequenino deles e dos partidos que representam, está tranquilo e recheado.

O que me leva ao segundo tema:

2. Este que vos escreve, sendo um apartidário confesso, consegue espantar-se com o aproveitamento político que alguns fazem do momento que estamos a viver, pois mesmo acreditando e defendendo a liberdade de expressão, a pluralidade de ideias, etc. estou um pouco flabbergasted com os textinhos tristes a defender a ideia de que agora com a crise originada pelo Covid-19, é que o governo tem a desculpa ideal para mascarar os maus resultados financeiros, a má política e mais não sei o quê.

Tenham juízo! Agora não é hora para essas birrinhas. É o António Costa que está nesse papel, mas fosse quem fosse, e independentemente da cor política de cada um, este período deve ser aproveitado para união de todos em favor de todos, e deixar as campanhas eleitorais para depois.

Photo by Sara Kurfeß on Unsplash

Este texto não foi escrito de acordo com o novo acordo ortográfico.